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Artigo: O que é fazer Análise do Comportamento Aplicada?

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Artigo: O que é fazer Análise do Comportamento Aplicada?

A Análise do Comportamento (AC) sempre foi uma área da Psicologia marginalizada no Brasil. A área gradativamente cresceu tanto no cenário acadêmico como no de oferta de serviços no Brasil e, com particular força, a área de Análise do Comportamento Aplicada (ABA; aqui usarei a sigla a partir do inglês Applied Behavior Analysis para facilitar a compreensão em relação a um termo comercialmente utilizado) vem ganhando espaço no mercado de oferta de serviços relativos à inclusão e tratamentos a pessoas com desenvolvimento atípico e também vem crescendo seu reconhecimento social como modelo de intervenção mais efetivo para casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com isso tem se multiplicado tanto profissionais sem qualificação específica nesta ciência do comportamento, como também ofertas de cursos sobre Terapia ABA tratando esta ciência aplicada como modelo fechado de técnicas e pacote interventivo ao autismo. Este pequeno texto visa esclarecer alguns pontos sobre o que é fazer Análise do Comportamento Aplicada.
A Análise do Comportamento emerge como um campo de conhecimento científico que toma o comportamento dos organismos como objetivo de estudo e toma o estudo deste objeto como ramo das ciências naturais. A Análise Experimental do Comportamento (AEC) surge na década de 1930 como campo de investigação científica do comportamento dos organismos que gradativamente ampliou sua comunidade de interlocução e produtores de conhecimento, eventualmente propiciando o desenvolvimento de um ramo de investigação aplicada – ABA – e posteriormente o uso de tecnologia analítico-comportamental para solução de problemas humanos.
A aplicação da AC para casos de desenvolvimento atípico ou atraso no desenvolvimento vem de longa data e, particularmente nos casos com TEA, passa a ganhar muita força com os trabalhos de Ivar Loovas.  O sucesso no campo de tratamento de TEA levou a uma enorme produção da área voltada para este campo e a um grande contingente de analistas do comportamento trabalhando neste campo. Tal movimento e o reconhecimento social dos modelos de intervenção em ABA para TEA levaram ao público a identificar analistas do comportamento como profissionais que lidam com autismo.
Cabe ressaltar que, enquanto profissionais que lidam com comportamento dos organismos, o analista do comportamento pode trabalhar – e trabalha – nos mais diversos contextos e com as mais diversas demandas que envolvem comportamento. Lidamos com terapia clínica, comportamento em organizações de trabalho, relações sociais, adesão a tratamentos de saúde, comunicação, educação, mobilidade urbana, e onde mais você pode imaginar seres humanos agindo. Assim, fica a dúvida, então o que de fato é fazer Análise do Comportamento Aplicada (ABA)?
Tomando como base as dimensões organizadas por Baer, Wolf e Risley em seu clássico artigo “Some Current Dimensions of Applied Behavior Analysis”, podemos dizer que fazer ABA envolve: (a) os comportamentos-alvos são selecionados a partir de demanda social, i.e., temos que lidar com o que aquela situação problema nos apresenta, (b) o nosso foco é comportamental, no sentido de que intervimos em como aumentar ou reduzir de frequência comportamentos e como desenvolver repertório comportamental de modo a propiciar maior qualidade de vida para o sujeito e seu meio social, (c) buscamos nos basear em dados para realização de análises e identificação de variáveis de controle do comportamento para que possamos ter mais clareza como e onde intervir, (d) buscamos descrever nossos procedimentos em linguagens que tornem mais provável que outros compreendam, entendendo que a produção de tecnologia envolve a capacidade de replicação de procedimentos bem sucedidos para um espectro mais amplo da população, permitindo um maior alcance de resolução de problemas, (e) entendemos que o contexto de aplicação não é o momento de desenvolvimento teórico, mas sim onde se aplica o que reconhecidamente tem efetividade para aquela situação problema, (f) a própria intervenção evolui sempre baseada em dados sobre o que está dando certo e o que não, e (g) buscamos fazer com que os comportamentos trabalhados demonstrem mudanças nos mais diversos contextos e ao longo do tempo.
Assim, fazer ABA é atuar como cientista aplicado do comportamento. É necessário conhecer uma ampla gama de procedimentos comportamentais diante das mais variadas situações para que possamos planejar a intervenção mais adequada para o que nos é apresentado. Isso não se dá por pacotes ou formações-relâmpago, mas em uma formação sólida e ampla como cientista comportamental.
Fazer ABA não é aplicar técnicas ou uma terapia específica, mas sim usar um poderoso conhecimento de uma ciência do comportamento para mexer em ambientes e potencialmente mudar o mundo das pessoas com as quais lidamos.
Felipe Lustosa Leite
Diretor de Pesquisa e Inovação da Imagine Tecnologia Comportamental
Analista do Comportamento Acreditado pela ABPMC (007-2017)
Lidi Queiroz
Diretora Presidenta da Imagine Tecnologia Comportamental
Analista do Comportamento Acreditado pela ABPMC (006-2017)
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